Arquitetura
no fundo do poço
André
Huyer
A
Revista Veja, de 4 de junho, publicou
matéria apresentando a arquitetura
no fundo do poço. Analisando
as 17 profissões com maior procura
no vestibular, arquitetura tem a remuneração
mais baixa para “talentos com
dez anos de formados” (veja clicando
no link, GRÁFICO
acima).
Se os talentos estão mal, imagine-se
os demais ... Muitas razões conjunturais
são apontadas para explicar a
situação, pela matéria
da revista. Também temos as causas
externas que nós mesmos elegemos,
que nos limitam, que não dependem
de nós, etc. Mas há outras
causas, cuja responsabilidade é
somente nossa.
Começa quando recebemos o diploma,
sabemos fazer excelente arquitetura,
mas não sabemos quanto cobrar
pelos serviços. Somente depois
de penar no mercado, fazer alguns trabalhos
a preço vil, é que o arquiteto
“descobre” quanto deve cobrar
para não ter prejuízo.
Continua quando trabalhamos sem contratos.
Como garantir a remuneração
se não há contrato? Que
deve ser assinado antes de traçar
a primeira linha. Finalmente, outra
grave causa do quadro da dor da remuneração
dos arquitetos são os “estudos
de risco”. Risco somente para
o arquiteto, que entrega de graça
a solução para o potencial
cliente.
Enfim, para reverter o quadro que a
revista Veja descobriu agora, mas que
nós já sabíamos,
teremos que fazer a nossa parte. Ter
absoluto domínio dos custos de
nossos escritórios e tarefas;
ter postura absolutamente profissional
não trabalhando sem contrato;
e jamais fornecer estudos de risco.
Como já foi dito: se arquitetura
é uma arte, sua prática
é um negócio, como qualquer
outro.
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